Eu sou Vasco

Uma falácia reproduzida frequentemente, como ensina a mídia aos debilitados intelectualmente, é a de vincular o Vasco a um clube da colônia portuguesa. O Vasco é multirracial, e apesar de sua origem portuguesa, teve um presidente negro em 1904. Se esquecem que nos anos de 1920, o Brasil tinha cerca de 100 anos de independência e 30 de libertação dos escravos. Ou seja, a elite brasileira era constituída fundamentalmente de portugueses (ou filhos-netos destes) das famílias ricas. E esta elite, com os vícios da família imperial, eram Flamengo e Fluminense. Já o português que ajudou a construir o Vasco foi aquele que trabalhava pesado, usava tamancos e era tão ridicularizado como os mais humildes, os negros, os nordestinos. E foram estes portugueses, que conviviam com a população pobre e que também eram discriminados, que tiveram essa atitude de escolher seus jogadores pelo mérito, independentemente de sua raça, nacionalidade e classe social. Afinal, um princípio universal em defesa das minorias não tem fronteiras e foi quem inspirou a origem do Vasco. Um clube que lutou contra o preconceito e o racismo, o que mostra suas raízes populares como a de nenhum outro clube e que melhor expressa a alma do povo brasileiro.

Dentre vários livros, inclusive de flamenguistas: há uma tese de Marizabel Kowalski (2001), que reconhece ser o Vasco o clube que melhor expressa o espírito da nossa gente proletária e suburbana, multirracial e mestiça. Mas a mídia insiste em nos vincular a um clube de colônia na tentativa desesperada de o afastar do nosso povo. Mas como se sabe o povo não é bobo, a não ser os mais ingênuos intelectualmente. Veja um texto reproduzido de tal tese:

“Em 1916, o Vasco filiou-se à Liga Metropolitana e passou a disputar a terceira divisão. Em 1920 foi promovido à segunda e, em 1922, à primeira. Ao ingressar na divisão de elite em 1923, o Vasco levou para os estádios a cultivada rivalidade que mantinha com os rubro-negros nas regatas. Com jogadores brancos, negros e mulatos do subúrbio, os cruzmaltinos conquistaram o título carioca da primeira divisão no seu ano de estréia na liga. América, Botafogo, Flamengo, Fluminense reagiram e expressaram-se de maneira a punir o clube, exaltando que “a essência do futebol estava sendo agredida pelo regime remunerado imposto pelo Vasco”. Na realidade, a existência de remuneração era comum desde 1915, onde os grandes clubes praticavam não um profissionalismo oficial, mas pagavam os jogadores de futebol, os quais também não eram considerados atletas, mas “esportistas”. Estes eram pagos, mesmo que de maneira disfarçada, através de prêmios por vitórias, algumas vezes com dinheiro, objetos de valor, títulos dos clubes e outros supérfluos da época (Pereira, 1998, p. 284-5). De qualquer maneira, o Vasco, com seus quase dez mil sócios da colônia portuguesa e das camadas menos favorecidas da comunidade carioca, não podia ser mais ignorado…”

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